A Verdadeira História do C.A. Paranaense
A trajetória "ignorada" pela histótia


No início da primeira década do século XX, era comum as pessoas em Corityba se reunirem no Clube Teuto-Brasileiro para assistirem apresentações de ginástica, até que um jovem, Frederico Fritz Essenfelder apareceu com uma bola de couro nas mãos.

Entre alguns cabeceios e embaixadas, o rapaz ali apresentava a bola de futebol à comunidade Coritybana, que de imediato se apaixonou pelo esporte.
Tão rápido quanto foi a assimilação do novo artefato pelos coritybanos, foi a formação de um time para a prática do esporte, na época, um selecionado de ingleses que trabalhavam na estrada de Ferro. Mesmo acontecimento estava ocorrendo simultaneamente em Ponta Grossa, que, ao saber do surgimento de uma equipe em Curitiba (Corityba), não demorou em convidá-la para uma partida nos Campos Gerais do Estado. A partida (oficialmente a 1ª realizada no Estado do Paraná), terminou com vitória de 1 x 0 dos Pontagrossenses.
Depois desse jogo, o time tomou proporção e se oficializou como um time de futebol, chamado oficialmente de Coritybano Football Club. Mas na sequencia, para que não se confundisse com o Clube Coritybano (tradicional já na sociedade local), o Coritybano mudou seu nome pra simplesmente Corityba, e, já com novo nome, recebeu no campo do Prado Velho (onde hoje é a PUC) a equipe de Ponta Grossa, onde venceu a revanche por 5 x 3.

Mesmo com o surgimento de mais alguns clubes espalhados pelo estado, o contingente de equipes era pequeno, e as viagens difíceis. Com este panorama, aliado a divergências de idéias, um grupo de pessoas resolveu se desligar do Corityba F.C. e formar uma outra equipe na cidade, equipe esta denominada Internacional Football Club. Já pelo perfil de seus fundadores, membros da alta sociedade e dissidentes de outra equipe, as vaidades não deixaram que o Internacional constituísse uma base sólida, culminando toda essa turbulência em mais uma cisão, a qual deu origem ao América F.C.

Por sérios problemas financeiros e seriamente ameaçado pela Liga de Futebol Paranaense, antes que fechasse suas portas, o América resolveu retornar às origens, combinando uma fusão com sua antiga dissidência, o Internacional. Mas o jogo de vaidades e interesses continuava, e um infantil impasse pela escolha das cores do novo uniforme, atrasou em 1 ano a oficialização da fusão. Só em 1924, depois de apasiguados os ânimos, e após 2 dissidências e 1 fusão, foi anunciado o surgimento do Clube Atlético Paranaense.

Como todo clube proveniente de fusão e, ainda mais, com uma conturbada história, o Paranaense surgiu sem identidade, procurando desesperadamente alguma coisa que pudesse lhe garantir credibilidade. Qual foi a solução? Copiar o símbolo de algum time que já tivesse alguma credibilidade e, assim, pegar carona na solidez e formar suas bases. A escolhida para esse "plágio velado" foi a equipe do Flamengo.

Tudo bem, chega de cópias, depois desse descarado "assalto" ao monograma do Flamengo, era hora de ser original e "criar" seu próprio escudo, algo que representasse toda a essência da equipe.. pois bem:

Devidamente escorado, C.A. Paranaense começou a galgar seu caminho. Mas de que adiantaria apenas um símbolo parecido? O Paranaense precisaria impor respeito dentro de campo, então, o jeito seria copiar o uniforme completo!

Tudo bem... isso tudo é exagero, são apenas coincidências... será? Vamos dar uma olhada no uniforme nº 2!

O pior de tudo isso é que, de uma tentativa de criar uma personalidade que nunca teve, o Paranaense terminou por amargar uma crise de identidade quase cômica, fato este facilmente observado nos idos de 1973, quando, ao ver seu maior rival (e genitor) Coritiba se consagrar Campeão do Torneio do Povo (maior campeonato nacional da época), não sabia nem mais qual era o time carioca do qual havia "tentado" roubar toda a personalidade. Foi nesse ano que o C.A. Paranaense lançou seu "novo" uniforme.

E assim, aos trancos e barrancos, almejando sempre se tornar superior ao rival Coritiba, entre uma crise de identidade ou outra, enfim, o Paranaense conseguiu sua melhor colocação em um campeonato de nível nacional, ficando com a 3ª Posição do Brasileiro de 1983, igualando o Coritiba, que já havia chegado na mesma posição em 79 e 80.
Pronto, conseguiram enfim a personalidade que queriam! Mesmo sem nunca em toda existência terem conseguido um tri-campeonato local, aquele 3º lugar no brasileiro os colocava definitivamente como um grande clube, capaz de fazer frente ao eterno rival e espelho! Tudo isso pode não ter dado realmente a identidade que eles tanto buscavam nesses quase 60 anos, mas seguramente serviu para confirmar de vez a postura arrogante e "mascarada" que vinha desde a época de Internacional. Não é de se estranhar que o seu mascote é um cartola (figura típica da aristocracia), e seu apelido em toda a história sempre foi pó-de-arroz (uma alusão notória à empáfia sempre predominante).

Aliás, nem isso escapou da obsessão carioca e da falta de identidade crônica do C.A.Paranaense. O time que já usava monograma, escudo e camisa plagiados do Flamengo, que chegou a ter um uniforme com o desenho do Vasco, não poderia jamais ter criado um mascote próprio. Desta feita, foi a vez do Fluminense "ceder" sua identidade.

Mas daí veio a tragédia!
Como um balde de água fria, em 1985, o grande rival, genitor e esterno espelho Coritiba, levantou a taça de Campeão Brasileiro, deixando aquela rélez 3ª colocação de 1983 próximo do nada, do lixo, do desprezível!

Agora era questão de honra, superar o mestre deixou de ser um desafio, pra ser todo um objetivo de vida. Azar da origem, da cultura, das raizes, da busca de uma identidade própria, dali em diante tudo que o Paranaense queria era superar seu grande rival e tentar mostrar que o discípulo poderia ser melhor, custasse o que custasse.

A falta de personalidade e auto estima da equipe que até no apelido do estádio estava por baixo (Baixada), chegava às margens do ridículo! Para tentar recuperar a moral, resolveram fazer um "novo" uniforme novamente, algo que não precisasse de mais mudanças, algo definitivo. Foi aí que, em meados de 1988, sua diretoria decidiu não copiar mais o desenho de um clube Brasileiro, decidiu inovar, melhorar, e agora copiar o uniforme de um time forte internacionalmente!

A inveja era tanta, que a dor de ver aquela estrela dourada pairando sobre o símbolo Alviverde do Coritiba lhes fazia esquecer de tudo, até do próprio paranaense. A torcida rubro-negra deixou de ter vida, eram como Zumbis que necessitavam de derrotas do rival para viver. Era como se cada ponto perdido pelo Coritiba lhes desse mais alguns dias de vida nessa marcha tétrica e sombria.
A obssessão era tamanha que nem sua história (mesmo que conturbada) importava mais. Largaram mão de tudo, de todo um passado, jogaram na valeta mais de 70 anos de tradição e, na tentativa de ver algo próximo do grande rival, decidiram fazer o que mais sabem, o que mais fizeram em toda sua trajetória... copiar!

Alguém seria capaz de "ao menos tentar" justificar a troca de um símbolo em formato de escudo, apenas com um monograma em um dos cantos superiores por um símbolo redondo, com 3 letras no centro, traços verticais no interior e inscrição nas bordas?
Pelo menos tiveram o "bom senso" de não copiar as cores... menos mal...

Bom, e mais uma vez, como quando resolveram copiar a camisa milanesa, o fator psicológico de acreditar que é um time grande deu resultado, muito embora, desta feita, esse "fator psicológico" teve grande ajuda de "artifícios" externos, como escândalos envolvendo arbitragens e outras coisas que somente Nicolau Maquiavel seria capaz de justificar.
Enfim, no final de 2001, beneficiado por um regulamento que lhe permitiu jogar todas as partidas da fase final em casa e em turno único, o Paranaense acabou chegando na final contra o fraco São Caetano, que sem futebol de qualidade ou mesmo torcida numerosa, cedeu com tranquilidade o primeiro título nacional de toda a história do C.A. Paranaense.

Na comemoração do título, tudo que se ouvia eram alusões ao grande rival e genitor! A palavra Coxa era mais ouvida do que o próprio nome do time do lado baixo da cidade! Mas era compreensível, afinal, a meta de uma vida era alcançada, enfim, o discípulo conseguia se igualar ao mestre. Ao menos na aparência, pois a vantagem em campeonatos locais, o título Fita Azul Internacional, a vantagem em confrontos diretos, o hexa-campeonato estadual eram metas impossíveis de serem ao menos igualadas.
E como sempre, como em toda sua história, o que valia para o Paranaense era a aparência (parecer o Flamengo, depois o Milan, e por fim parecer o Coritiba), não custava nada mudar um pouco a "aparência" de seu novo escudo e ostentar ali uma "estrela menor", "estrela de prata", como se fora das aparências fosse mesmo louvável um título de 2ª divisão conseguido entre os percauços da trajetória.

E assim imaginou o Paranaense ter superado o rival e genitor Coritiba, e realmente superou, em APARÊNCIA, pois seu "novo" escudo PARECE melhor, pois tem mais adereços, como se a quantidade de bananas que a Baiana levasse em sua cabeça importasse mais que a qualidade!

Definitivamente, o maior dos méritos é a humildade. É fazer de suas virtudes um orgulho, de suas conquistas um objetivo, da sua vida um história. Em escudo de clube nenhum no mundo, por maior que ele seja, caberiam tantas estrelas que pudessem simbolizar o número de conquistas que o grandioso Coritiba Football Club já teve!
Da mesma forma que a humildade alviverde não permite comemorar todas as glórias de um passado com mais do que uma simples (mas significativa) estrelinha dourada no peito, o orgulho de ser grande como é o Coritiba não permitiria jamais que a obrigação de estar no nível mais alto do futebol brasileiro se tornasse uma conquista (como um título de 2ª divisão).
Primeiro, é preciso ter raizes sólidas, que irão fortalecer seus princípios, sua moral... para depois disso lutar por objetivos claros e, acima de tudo, honrados. Com um história belíssima, sendo o grande pioneiro do futebol paranaense, berço inclusive de outras equipes, com o maior estádio do Estado e construido com RECURSOS PRÓPRIOS, maior ganhador de títulos locais, maior ganhador em sequência de campeonatos estaduais, 2 títulos nacionais, vencedor de diversos torneios nacionais, único time do Paraná a ostentar uma conquista internacional, o Coritiba, é indiscutivelmente insuperável, ou mesmo INIGUALÁVEL.
Ao contrário do que outros times pensam, o dinheiro (limpo ou não), pode trazer muitas coisas imediatas, mas não é capaz de construir uma história de luta, superação honra e conquistas!

Glorioso Coritiba Futebol Club

INIGUALÁVEL!


criado por
Luiz Berehulka - 06/2004

OBS: Diferente dos arremedos mal feitos que têm aparecido pela internet tentando "dar o troco", este documento foi concebido após muito tempo de pesquisa, sendo todos os fatos nele narrados extraído da própria história do CAParanaense, portanto, sem qualquer contestação. As camisas, escudos e mascotes, inclusive com suas respectivas datas, são registros históricos, não tendo nada sido "criado" para demérito do CAParanaense exclusivamente para o texto.